O que (quase) ninguém conta sobre o Inhotim
Que o Inhotim1 é lindo todo mundo sabe. O paisagismo, a arquitetura das galerias, as obras a céu aberto são de encher os olhos e impressionam mesmo quem já esteve lá muitas vezes (ou quem assistiu a série 3%, na Netflix). Mas e pra quem vai ao Inhotim pela primeira vez, conhecer esse lugar absolutamente deslumbrante, o que quase ninguém conta?
A primeira dúvida que tive foi: como vou chegar no Inhotim? E a resposta foi mais simples do que pensei e está disponível no site do Instituto: há ônibus disponíveis em Belo Horizonte, saindo 1 vez ao dia (pela manhã) e voltando do Inhotim para BH à tarde. O ônibus pode sair da rodoviária da cidade ou da frente do hotel Holyday Inn. Os preços são pouquíssimo diferentes e partem de R$ 113 (aproximadamente) ida e volta. A escolha de qual ônibus pegar é bastante pessoal e vai da proximidade que você estiver dos pontos de embarque. Para não correr riscos, recomendo comprar as passagens com antecedência. Também é possível chegar de carro e deixá-lo estacionado no próprio Instituto, que tem um estacionamento bastante grande e gratuito.
Chegando lá, as questões são outras - e não parecem tão grandes diante da beleza daquele lugar. Como a preparação é importante, separei algumas dicas de acordo com a minha vivência.
Pode parecer óbvio, mas pra alguém como eu o óbvio é absolutamente subjetivo: o Inhotim é gigante. Mesmo. Há muitos lugares a explorar, muitas galerias a visitar, muitas obras a contemplar. Sendo assim, a imensidão do Instituto pede mais do que um dia de visitação. Visitar em apenas 1 dia significa abrir mão de bastante coisa.
É importante escolher em quais dias você vai visitar. Às quartas-feiras, o acesso é gratuito - mas isso significa que a quantidade de pessoas no Instituto é bastante grande. Nos dias pagos (R$ 25/meia, R$ 50/inteira), o movimento é naturalmente menor. Se você, como eu, prefere mais calma e silêncio para apreciar tudo com calma e cuidado, prefira investir no ingresso para um dos dias pagos. Minha sugestão é que a visita seja numa quinta e numa sexta-feira. Aos finais de semana o movimento também aumenta. Caso prefira visitar no dia gratuito, as atrações do Instituto são as mesmas; o máximo que pode acontecer é pegar fila pra usar o banheiro.
O itinerário da visita divide-se em 3 rotas: a amarela, menor de todas; a rosa, de tamanho médio; e a laranja, a maior e mais íngreme, por onde se chega no ponto mais alto do instituto. Prepare-se para caminhar bastante e fazer mini trilhas para chegar a algumas galerias e uma ou outra obra. Há caminhos entre uma galeria e outra que chegam a quase 600 metros (entre subidas e descidas). Pra isso, é imprescindível apostar em roupas e calçados confortáveis para a visita. Além do conforto, escolha uma roupa que não te deixe triste caso suje. Você vai pisar em terra (molhada, às vezes), tocar em diversas plantas, e se tiver sorte ainda vira alvo de cocô de passarinho (mas torcemos pra que não).
É possível, também, comprar o transporte interno do Inhotim por R$ 38 por pessoa. O carrinho é compartilhado, você embarca em um ponto pré-definido, sinalizado e marcado no mapa, e desembarca em outro ponto pré-definido, também sinalizado e marcado no mapa. Cada carrinho tem sua própria rota, então não é possível fazer desvios. Caso queira, também é possível reservar um carrinho exclusivo durante todo o dia ou por um período de 30 minutos, e esses, sim, podem desviar das rotas e itinerários, de acordo com a sua vontade - mas o preço é consideravelmente mais alto: R$ 750 e transporta até 5 pessoas durante todo o dia, ou R$ 150 por 30 minutos, também para 5 pessoas. Para pessoas com deficiência e seus acompanhantes, o transporte interno é gratuito e deve ser agendado na recepção do Instituto com no mínimo 50 minutos de antecedência da visita.
Durante a caminhada será possível observar jardins de exímio cuidado, obras expostas a céu aberto, animais selvagens - principalmente esquilos e aves - e muitas, mas muitas borboletas. Muitas mesmo!
Fiz 2 dias de Inhotim e escolhi primeiro, por indicação de um guia da visitação que fica na recepção, fazer as rotas amarela e rosa; no segundo dia, a rota laranja. Para o primeiro dia, fiz as rotas a pé e somei quase 10km de caminhada (pra você ver como o Inhotim é grande e como é importante apostar em roupas confortáveis). No segundo dia, preferi comprar o transporte interno e terminei a rota faltando 30 minutos para o meu ônibus voltar a BH. Penso que não conseguiria ter visitado metade das galerias e obras se tivesse escolhido fazer o trajeto a pé.
Como mencionei no começo, o óbvio não é tão óbvio assim e o Inhotim é gigante. Percebi 4 dias depois da 2ª visita, já de volta à minha casa, que deixei de visitar uma galeria. Me perdi na organização, no mapa (cedido pelo Instituto no início da visita), e pulei uma galeria que eu queria bastante visitar, inclusive. Então leve canetas para marcar no mapa por onde você já passou! Essa marcação vai te ajudar a não cometer o mesmo erro que eu cometi e vai te ajudar a planejar melhor seu itinerário.
Outro ponto importante é que há galerias fechadas para manutenção, e o mapa, por ser previamente impresso e possivelmente em lote, não te diz quais são. Só descobri que a galeria Doug Aitken, a mais distante (e mais procurada) da rota rosa, estava fechada quando cheguei na frente dela. O Instituto diz em suas redes sociais quais estão em manutenção, é importante conferir para não dar com a cara na porta.
A galeria Yayoi Kusama fica na rota laranja e é uma das galerias mais procuradas do Instituto. É a única galeria em que há uma obra que precisa de retirada de ingressos. Minha dica é: retire os ingressos assim que chegar ao Instituto. São gratuitos e têm seus horários específicos. Se seu horário for um pouco distante, visite outros lugares do Instituto e depois retorne para contemplar Aftermath of Obliteration of Eternity (2009) - é emocionante.
Por fim e de acordo com minha experiência posterior, o que digo é: tire muitas fotos, grave muitos vídeos e prepare-se para sentir saudade. O Inhotim é quase mágico e é, sem dúvidas e sem medo de errar, o lugar mais bonito que meus olhos já viram. E se quiser vislumbrar um pouquinho desse lugar arrebatador, assista à série 3%, preste atenção nas imagens do Maralto e sinta tanta vontade - quanto eu - de estar, mesmo que por um breve espaço de tempo, nesse lugar fantástico.
O Instituto Inhotim é um museu a céu aberto que fica em Brumadinho, Minas Gerais, e foi fundado em 2002.↩