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Don't forget about Mariah Carey

Dia 20/09/2024 estive no único show solo que Mariah Carey fez no Brasil em muito tempo. Ela já esteve por aqui em 1999, 2002, 2009 e 2010. Quase esteve em 2016, mas não foi possível. Em 2024, ela veio. E esse show marcou minha vida o suficiente pra querer escrever a respeito dela.

A primeira vez que me lembro de ter ouvido uma música da Mariah foi em 1999, quando ela lançou I Still Believe, um cover de Brenda K. Starr. A música tocava sem parar nos rádios e todos os dias passava o clipe na MTV. Uma prima, que na época morava com minha família, pegava o telefone e discava, toda tarde, ligava no Disk MTV na esperança de que o clipe passasse também lá. E passava. Eu sei que provavelmente ouvi muitas músicas dela antes de 1999, mas minha primeira lembrança é I Still Believe. E tantas outras lembranças essa música me trouxe depois, já adulta.

Um pouco depois, me lembro dos amigos e amigas de escola que se alvoroçavam porque um filme novo estava pra sair: Glitter. Foi um fiasco, eu sei, mas eu assisti. E odiei. E depois amei. E voltei a odiar. Hoje, nem sei o que sentir - mas assisto.

Quando meus pais colocaram internet em casa, baixei muitas músicas dela em .mp3. I wanna know what love is era tema de novela, imagina! Meu pai me pedia pra baixar essa música (junto de todo o resto da trilha da novela, sim). Mariah estava presente na minha casa, na minha família, mais do que nunca.

No final da adolescência, entrando na fase adulta, me lembro de um amigo que gostava muito das músicas da Mariah. E me contava que ela tinha sido casada com alguém importante da Sony Music. Hoje a gente sabe do boicote pós-divórcio, do Michael Jackson dizendo que o ex-marido dela (cujo nome me recuso a escrever) era um demônio e coisa e tal, e tal e coisa. Mas, na época, era o máximo poder trocar fofocas dos famosos com os amigos, dividir a revista Capricho, Toda Teen e outras da época pra saber um pouco da vida de quem a gente gostava de ver e ouvir. Era o máximo ter a Mariah um pouco mais perto.

Mas tudo isso não foi o bastante pra me fazer ser fã de Mariah Carey. O que me transformou foi o amor. O amor da minha vida é a maior fã que eu já conheci - e, tudo bem, conheci poucos. Em 2016, quando namoramos (pela primeira vez - mas isso é assunto pra outra hora), eram as músicas da Mariah Carey que tocavam na casa dela o dia inteiro. Estendíamos as roupas lavadas ouvindo (e dublando) Anytime you need a friend, Emotions, Vision of Love e tantas outras. Lavávamos louça cantando My all, Fantasy, Dreamlover. A única música que ela não conhecia era a minha primeira: I Still Believe. Depois que apresentei, foi mais uma que entrou pro nosso repertório particular. A voz da Mariah Carey marcou nossa história. Marcou muito.

Depois que terminamos o primeiro namoro, Mariah se tornou uma voz proibida pra mim. Não conseguia mais ouvir. Doía o peito, a alma. A única música que eu conseguia ouvir, por acaso, era I Still Believe. Ela parecia querer me dizer algo.

I still believe
Someday you and me
Will find ourselves in love again

E eu realmente acreditei. Acreditei muito, mesmo quando eu achei que não acreditava mais. E hoje tenho ao meu lado, mais uma vez, o amor da minha vida. A voz da Mariah voltou a ser a trilha não de só uma história, mas de muitas histórias. E o show dela, ao lado da mulher que eu amo, coroou o amor que parecia impossível, mas que a voz da Mariah Carey não me deixou parar de acreditar, nem por um segundo.