Como se fosse a primeira vez
Não é sobre filme clichê do Adam Sandler (ator que, aliás, não simpatizo nem um pouco). Não é sobre o Belo à frente do grupo Soweto cantando "a primeira vez que eu te beijei no céu da cidade de neon", também – mas o Belo, ah!, esse eu amo. É sobre o que é: fazer coisas pela primeira vez.
Não me arrisco muito, prefiro me sentir segura e confortável em fazer coisas que já conheço. Que já sei fazer e sei que darão certo. E mesmo assim, há vezes em que o óbvio sai do caminho e as coisas desandam. Começa aí a saga de fazer coisas pela primeira vez.
Consertar o sal do arroz pela primeira vez foi/será um grande desafio. Sempre que tentei, não deu certo. E continua sem dar certo toda vez em que é preciso. Um dia, eu sei, vou conseguir consertar o sal. E aí teremos uma primeira vez.
Semana passada viajei a trabalho, sozinha. Foi a primeira viagem a trabalho, a primeira vez. Apesar de já conhecer (um pouco) a cidade, foi a primeira vez em que estive lá sozinha. E foi a primeira vez conhecendo ao vivo as pessoas com quem trabalho, mesmo que já conviva on-line com elas há algum tempo. A primeira vez numa confraternização da empresa. A primeira vez presenciando a vida delas fora do escritório. A primeira vez comendo carne de onça. A primeira vez sozinha em um Airbnb. A primeira vez precisando reclamar de coisas que estavam muito ruins na hospedagem. E, sinceramente, não sei como consegui. Mas o fato é: eu consegui. Muitas primeiras vezes em um curto período de tempo.
As experiências que tive pela primeira vez me fizeram entender que, sim, eu consigo. Que a primeira vez é só a primeira, e será seguida pela segunda, pela terceira e assim por diante. E cada uma, se olharmos bem a fundo, vai ser também a primeira. Viver a vida como se fosse a primeira vez é, de certo ponto de vista, uma verdade: cada momento é o primeiro, não se repetirá. E a vida, que é uma, tampouco terá repetição.
Tomara que as coisas continuem acontecendo pela primeira vez, ainda que me causem medo ou insegurança.
Nota final: fiz guacamole pela primeira vez, hoje. Sem coentro, já que minha conja não gosta. E ela, que nunca provou guacamole, terá uma primeira vez também. Será que a vida é um eterno cruzamento de primeiras vezes?